Bateria social: tem, mas acabou
Vivemos num mundo de excessos. Trabalho, consumo, compromissos, conexão: é tudo muito, inclusive nossa disponibilidade e os compromissos sociais
Tem dia que a gente acorda com a melhor das intenções. Olha a agenda, vê aquele monte de compromissos e pensa: ‘Hoje eu vou dar conta de tudo!’ Mas aí, chega o fim do dia e tudo que resta é um corpo largado no sofá, uma mente exausta e uma vontade zero de interagir. O que aconteceu? Simples: a bateria social acabou. Estamos só aquele 1% vagabundo.
Se antes a gente se preocupava com o nível da bateria do celular, hoje devíamos andar com um medidor de energia social. Porque, minha amiga, nunca estivemos tão conectadas, tão acessíveis e, ao mesmo tempo, tão esgotadas. Resumo: lindas porém exaustas.
Sou animada pra fazer muitas coisas, mas nunca tiro o olho da minha bateria social
É convite pra happy hour da firma, aniversário de colega, almoço de networking, evento imperdível, show imperdível, festa imperdível. Fora o fervilhar no WhatsApp que mobiliza grande parte do nosso carisma. Difícil é equilibrar o desejo de estar presente com a necessidade de se preservar.
Queremos fazer tudo, participar de tudo, estar em todos os lugares. Afinal, estamos na era do FOMO (Fear of Missing Out – o medo de estar perdendo algo). Só que ninguém contou pra gente que esse excesso de acesso cansa, que ver a agenda lotada não significa ter disposição para cumprir cada item, que interagir o tempo todo desgasta. Que, às vezes, o programa mais animador do sábado à noite é simplesmente não fazer nada.
Eu sou um tipo de pessoa completamente social. Costumo escutar com frequência: “Nossa, como você aguenta!” ou “Me canso só de te acompanhar”. Parece que minha bateria nunca acaba, mas a verdade é que além de animada, eu sei curtir o meu silêncio. Adoro ficar sozinha e quieta na minha casa e entendi que esse é meu carregador e o que me permite estar inteira e animada quando topo as coisas. Antes de dizer sim a um evento ou sair, me pergunto: como eu estou? Estou disposta? Descansada? Pronta para encarar o que eu vou encontrar? Topo muita coisa, verdade, mas nunca tiro o olho da minha bateria social. E, se ela estiver baixa ou voltar baixa de algum rolê, me recolho com alegria. Saber escutar o que diz nosso corpo é o segredo de muita coisa.
Vivemos num mundo de excessos. Trabalho, consumo, compromissos: é tudo muito. Por isso desenvolver esse autoconhecimento que entende e até prevê os próprios limites é fundamental. Está mais do que na hora de priorizarmos a qualidade e não a quantidade. Lidar com gente, responder gente, estar com gente tudo isso nos exige. É preciso estar bem preparada e disposta pra que as interações, tão importante da vida, não virem um pesar.
Então, amiga, quando sua bateria social estiver piscando no vermelho, sem culpa: desconecte-se. O mundo continua girando e, quando você estiver pronta, ele vai estar lá. Mas, antes de tudo, esteja por você.

