O que as mulheres querem?
Prestes a estrear um podcast na rádio CBN sobre desejos femininos, Tatiana Vasconcellos reflete sobre a pluralidade que existe em cada uma de nós
Freud morreu sem saber: “Afinal, o que quer uma mulher?”. A pergunta pode parecer simples e até batida. Mas basta se prestar a escutar de verdade uma mulher pra perceber que há um universo inteiro em movimento. O que as mulheres querem não cabe numa frase. E nem é uma coisa só. Nem é a mesma coisa sempre. E nem todas querem a mesma coisa. Parece complexo? É, mesmo. Desejos são bastante complexos.
Sobretudo quando damos um passo atrás e pensamos a quem é permitido desejar. Sonhar. Querer. Às mulheres, é permitido querer? Para quais mulheres é possível viver de acordo com seus quereres?
O desejo pulsa em nós, muda com o tempo e resiste mesmo quando tentam controlar
Um caminho para investigá-los é fazer as perguntas certas. Daí podem nascer boas conversas. E eu sou da seita que insiste em crer no poder transformador das boas conversas. O processo de escutar o outro, sentir, ouvir-se falar, se deixar emocionar pode virar a cabeça, encher o coração, fazer a gente se movimentar. E quando mulheres se encontram com essa disposição, minha gente, são capazes de mover placas tectônicas por aí.
Foi desse tipo de encontro que nasceu “O Que as Mulheres Querem?”, podcast que a Rádio CBN lança dia 8 de maio e que tenho o prazer de apresentar. Fruto de sensações, incômodos e vontades diversas e coletivas de oito mulheres jornalistas e comunicadoras que, além de ocuparem o mesmo estúdio, mantêm uma relação de amizade fora dos microfones. Carolina Morand, Cássia Godoy, Débora Freitas, Marcella Lourenzetto, Nadedja Calado, Petria Chaves, Tânia Morales e eu.
A cada episódio recebemos uma convidada incrível e vamos atrás de várias vozes femininas que chegam por áudio para destrinchar um assunto e suas múltiplas possibilidades, trazendo nuances, contradições, vivências, experiências diferentes e tão íntimas quanto coletivas. Essa é a graça!
A gente fala de tudo: dos sonhos e das nossas origens familiares, do amor e dos jeitos de se relacionar, do corpo e como ele pode ser fonte de prazer, da maturidade e das transformações na metade da vida, da maternidade em suas diversas formas, do trabalho e do dinheiro que é bom e a gente adora, das viagens – internas e externas. Mas, no fundo, é tudo sobre desejo (Freud ri, satisfeito, onde quer que esteja). Aquilo que pulsa em nós, que muda com o tempo, que resiste mesmo quando tentam controlar.
Mas será que sabemos o que desejamos? Somos estimuladas a dar ouvidos às nossas vontades?
“Senta direito!”
“Menina que transa é galinha”
“Tem que casar e ter filhos”
“Tem que ser bem sucedida até os 30”
(lista infinita)
É bem verdade que “mulheres” é muita gente e não temos a menor pretensão de falar em nome de todas. Ao contrário. A beleza é entender que, justamente por sermos muitas, nossos motores são diversos. Irregulares. Variáveis. Às vezes efêmeros. E desiguais.
Nesse mar informacional repetitivo e cacofônico, é uma marolinha assim que eu gostaria que “O que as mulheres querem” provocasse. Um estímulo para o despertar de sensações, pensamentos, pistas de investigação sobre si, a partir do que nos relacionamos por aí. Um estímulo, que nos é sonegado, para que a gente se faça sempre essa pergunta: o que queremos? E tenha coragem para sustentar o que vier de respostas e o terremoto que elas podem provocar.
