Por que minha cabeça sempre pensa o pior? - Mina
 
Suas Emoções / Reportagem

Por que minha cabeça sempre pensa o pior?

Pensamentos catastróficos fazem parte da programação do cérebro, mas com alguns ajustes (e respiros), dá pra mudar o canal da ansiedade

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Sabe aquele pensamento que começa com um “e se der tudo errado?” e termina em uma superprodução dramática digna de horário nobre? Você não está sozinha. A catastrofização — quando imaginamos sempre o pior cenário possível — é mais comum do que parece. E, ao contrário do que muita gente pensa, não é sinal de fraqueza, mas de um cérebro… funcionando.

“Nossa mente não foi feita para nos deixar felizes, foi feita para nos manter vivas”

Simular cenários é uma capacidade sofisticada do ser humano, ligada ao nosso instinto de sobrevivência. O problema é que esse recurso, útil em momentos de risco real, pode sair do controle quando é ativado o tempo todo — inclusive em situações banais.

Pensamento não é fato, é interpretação

Por mais reais que pareçam, pensamentos são apenas isso: pensamentos. Não são previsões, nem verdades absolutas. “O cérebro está o tempo todo monitorando as informações e dando entendimento para elas”, explica a neurocientista Ana Carolina Souza. Mas essas interpretações não são neutras: passam por filtros muito pessoais. 

A psicóloga Giulliana Barros, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), compara esses filtros a lentes — cada pessoa enxerga o mundo pela sua, influenciada pela criação, história de vida, fatores genéticos e até hormonais. E, quando essas lentes estão embaçadas, o risco de interpretar tudo como ameaça aumenta.

Por que imaginamos o pior?

“Nossa mente não foi feita para nos deixar felizes — ela foi feita para nos manter vivas”, diz Giulliana. Ou seja, ele prefere pecar pelo excesso de cautela. A tendência é sempre focar no que pode dar errado, porque isso supostamente prepara você para reagir. 

Mas esse viés negativo, embora natural, tem efeitos colaterais. Quando os pensamentos catastróficos surgem com frequência ou intensidade, podem gerar ansiedade, estresse e até paralisar a ação, alerta Ana. A boa notícia? Dá pra treinar a mente para reequilibrar esse sistema.

Como treinar sua mente para não catastrofizar

Graças à neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de se reorganizar e aprender — é possível criar novas formas de pensar, mais realistas e funcionais. E a psicologia tem boas estratégias pra isso. Aqui, algumas delas:

1. Identifique o pensamento – Percebeu que ficou muito nervosa de repente? Pergunte-se: “o que eu estou pensando que me fez sentir assim?” Nomear o pensamento ajuda a ganhar distância dele.

2. Lembre-se de que é só um pensamento – “Se não há nenhuma evidência no presente de que aquilo vai mesmo acontecer, então é só um pensamento”, reforça Ana. Respire fundo: a respiração ajuda a ativar áreas do cérebro ligadas à racionalidade, como o córtex pré-frontal.

3. Questione os fatos  –  Giulliana recomenda dois exercícios simples: 1) Quais evidências eu tenho de que isso é verdade?; 2) E quais evidências mostram o contrário? 

4. Tente formular novas possibilidades – 1) O que de pior pode acontecer? 2) E o melhor? 3) Qual é o cenário mais realista?

5. Cuide do seu foco  –  Nosso cérebro dá mais peso ao negativo, mas você pode ensiná-lo a ver o outro lado. Um exemplo? Praticar a gratidão diariamente, escrevendo uma coisa boa que aconteceu. Esse hábito ajuda a deslocar o foco do problema para algo positivo, reduzindo a atividade do sistema de defesa.

No fim das contas, seu cérebro só quer garantir que você esteja pronta para qualquer ameaça. Mas se esse excesso de “cautela” está te impedindo de viver com leveza, talvez seja hora de redirecionar o roteiro mental. Nem toda situação precisa virar uma superprodução catastrófica. Identificar, questionar e mudar o foco dos seus pensamentos de forma intencional é a saída para não se deixar levar pela mente.

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