Autoestima, confiança, vitalidade: a moda tem poder - Mina
 
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Se você ainda pensa que na equação da vida a roupa não importa muito, precisa analisar melhor sua própria imagem diante do espelho. Com uma ajudinha da ciência dá pra entender como a forma como nos apresentamos influencia nossa autoestima, nosso humor e até nossa produtividade.

O conceito de “enclothed cognition”, estudado pela Journal of Experimental Social Psychology, revela que as roupas afetam de maneira direta como pensamos e agimos. Um dos jeito de traduzir o termo, aliás, é “psicologia das roupas”. Vestir um blazer pode nos fazer adotar uma postura mais assertiva. Usar roupas “de academia” pode aumentar a sensação de vitalidade. E escolher um vestido que parece feito para o nosso corpo pode transformar completamente o humor. Não é coincidência: é a ciência mostrando que o vestir interfere nas emoções, nos pensamentos e nas atitudes.

Seguir tendências sem consciência, nos afasta do nosso próprio estilo

Outro levantamento, da Mental Health Foundation (Reino Unido), indica que 61% das mulheres se sentem mais felizes e seguras quando gostam da própria aparência. O dado é eloquente: não se trata de estética isolada, mas de bem-estar psicológico. Gostar do que vemos no espelho não é luxo, é um recurso para enfrentar os desafios diários com mais leveza.

Mas é preciso cuidado, porque na moda existem algumas linhas tênues. Seguir tendências em vez de buscar o próprio estilo, por exemplo, faz com que a moda deixe de ser ferramenta de liberdade para se transformar em prisão. A moda também pode virar veneno se a indústria passar a limitar nossos corpos a um único padrão, isso acontece de forma silenciosa mas muito nociva quando oferecem modelagens e numerações que contemplam apenas uma parcela restrita de mulheres. 

O significado das escolhas

Paralelo a isso, a lógica do fast fashion impõe um ciclo de compras frenéticas e um estilo de vida descartáveis, fazendo parecer que precisamos renovar o guarda-roupa a cada semana para, só então, nos sentirmos bem por “estarmos na moda”. Como o André Carvalhal defende no livro Moda com Propósito, é preciso resgatar o significado das escolhas e construir uma relação mais consciente com o vestir. A moda é poderosa e exatamente por isso, devemos tratá-la com seriedade, seus danos podem ir do ambiental ao psicológico num pulo. 

Seguir tendências sem consciência, nos afasta do nosso próprio estilo e entramos numa busca interminável por uma identidade que nunca chega. Estilo pessoal não nasce das vitrines nem das passarelas, mas do reconhecimento íntimo daquilo que nos faz bem — do que oferece conforto, potência e verdade.

Por isso, sou entusiasta da moda e incentivo mulheres a incluírem esse cuidado na rotina, sempre ancorado em escolhas que respeitem a singularidade de cada uma. Cuidar da imagem é escolher peças que comunicam quem somos e não o que esperam de nós. É olhar no espelho e reconhecer: “hoje eu estou bem comigo mesma”. A mágica vem em seguida.

A moda pode, e deve, trabalhar a nosso favor, nunca o contrário. Ela é uma poderosa ferramenta de expressão, força e resistência. E quanto mais entendemos nosso estilo pessoal, mais conseguimos transformar a moda em linguagem de bem-estar e liberdade.

Moda não é futilidade, tão pouco apenas ornamento: é linguagem, é autocuidado e potência. 

Fontes:

  • Carvalhal, André. “Moda com Propósito: Manifesto pela Grande Virada.” Rio de Janeiro: Editora Paralela, 2016.
  • Ada Times New Romanm, Hajo & Galinsky, Adam D. (2012). “Enclothed Cognition.”
    Journal of Experimental Social Psychology, Volume 48, Issue 4, Pages 918–925.

Mental Health Foundation (2019). “Body image: how we think and feel about our bodies.”

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