Comida, esse abraço que a gente mastiga devagar - Mina
 
Seus Relacionamentos

Comida, esse abraço que a gente mastiga devagar

Cozinheira de mão cheia, Dandara conta como a comida esteve presente em sua vida desde cedo e garante: mexer algo em fogo baixo é quase uma meditação guiada.

Por:
3 minutos |

Toda vez que percebo que estou passando mais tempo na cozinha do que no sofá, tenho a sensação de que venci. Nada contra maratonar séries, filmes e novelas, mas a cozinha é diferente: a comida salva – de muitos jeitos. Mata a fome, claro. Mas também acalma a tristeza, espanta a ansiedade, afasta a solidão. Quando a vida aperta, é na panela que eu encontro meu centro. O barulho do óleo quente é minha terapia, o cheiro do alho refogando funciona melhor que incenso, e mexer algo no fogo baixo é uma espécie de meditação guiada.

Minha avó, dona Eunice, só cozinhava comida boa quando estava de bom humor

Outro dia, uma seguidora me disse que vê minhas comidas nas redes e fica com água na boca. Maravilha: foi pra isso que eu vim! E quando aparece publi que pede a barriga no fogão, é alegria em dobro. Muito bom poder juntar trabalho com o que a gente ama. Alguém disse propósito? Sim, a vida está nesses pequenos propósitos e, pra mim, eles levam sal, pimenta ou cobertura de chocolate.  

Muita gente se surpreende ao me ver cozinhando. Mas a cozinha me acompanha desde cedo — e como em casa pobre, delivery não era opção, a comida vinha toda do fogão. Junto isso com ser criada pela avó e pronto! Dona Eunice tinha uma coisa peculiar: só cozinhava comida boa quando estava de bom humor. Se não, era o básico e olhe lá. Tá vendo? Alegria e comida sempre andaram juntas na minha vida.

Minha avó era fera no tempero, mas tinha birra de certas receitas que considerava “de rico”. Isso porque passou anos trabalhando em casa família, pegou bode de lasanha. Já minha mãe, mesmo sem me criar, sustentou meus sete irmãos vendendo comida. Até hoje ela ganha a vida montando barracas em shows. Cozinhar é um dom que, felizmente, corre na família.

Recebo grupos de amigos com panelões fumegantes ou gente para jantar intimista onde a sobremesa sou eu. Independente do propósito, esses momentos sempre me salvam. Também me divirto com as modas gastronômicas. O morango do amor, por exemplo, me ganhou. O meu ficou divino! Cozinhando, lembrei muito da minha mãe porque pensei o quanto essa receita caseira simples (sim, gente é simples!) pode servir de renda pra tantas mulheres que precisam trabalhar em casa. Minha mãe trabalha com cozinha porque era um dos únicos jeitos de trabalhar e cuidar das crianças ao mesmo tempo. 

No fim, cozinhar é meu jeito de cuidar e de me cuidar. É uma forma de dizer, pra mim mesma e pra quem senta à minha mesa: “você merece algo bom”. Porque comida é isso — um abraço que a gente mastiga devagar. E é por isso que toda semana tem conteúdo de comida na minha página. Segue lá!

Mais lidas

Veja também