Abram alas: Gen Z traz novo modelo de trabalho - Mina
 
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Abram alas: Gen Z traz novo modelo de trabalho

Dizem por aí que a Geração Z não quer ser chefe. Maíra Blasi explica que isso não é verdade: Eles não querem é essa chefia que temos a oferecer

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Não é que a Geração Z não queira trabalhar, ser promovida ou alcançar objetivos. É que, para eles, o preço parece alto demais. A narrativa de que essa geração é preguiçosa ou incapaz de lidar com responsabilidades cai por terra quando olhamos mais de perto: o que a Geração Z está dizendo, com todas as letras, é que não quer pagar com sua saúde mental e emocional por um sistema que já não funciona. E isso é um tapa na cara para quem sempre achou que sofrimento faz parte do pacote.

Enquanto as gerações anteriores viam no cargo de chefia o ápice do sucesso – um título, um crachá, o símbolo de que “você chegou lá” –, a Geração Z olha para essas cadeiras e só vê burnout, noites mal dormidas e gente se justificando em nome da produtividade. Ser chefe, para eles, não é status; é um sinal de alerta. E, talvez, seja justamente por isso que muitos jovens dessa geração não querem ser chefes. Não porque sejam irresponsáveis, mas porque não querem ser essas pessoas que hoje chefiam eles.

É impactante: uma geração inteira recusa um modelo que parecia inquestionável 

O que vivemos não é uma crise geracional, mas uma crise com o trabalho. E a Geração Z está apenas escancarando isso. Depois de uma pandemia que abalou nossa visão de mundo, valores como bem-estar e equilíbrio não são mais negociáveis. A ideia é viver de maneira mais plena, eles não querem passar pela vida apenas sobrevivendo entre um boletim médico e um relatório semanal. Isso incomoda? Sim. Afinal, estamos falando de uma geração que recusa um modelo que parecia inquestionável – e esse modelo é o mesmo que deu sentido à vida de muita gente.

Essa resistência de toda uma geração ao modelo tradicional de liderança é mais uma peça no quebra-cabeça: o mercado de trabalho, como o conhecemos, não está preparado para lidar com essa geração. Em meu report, “É a geração Z que não tá preparada pro mercado de trabalho ou o mercado que não tá preparado pra geração Z?”, exploro como essas diferenças de visão e prioridades expõem falhas profundas no sistema. A Geração Z não está pedindo mais; está pedindo algo melhor – e isso deveria ser um convite à transformação, não motivo de crítica.

Eles não têm medo de liderar; têm medo de repetir um padrão que já deu errado. O que chamam de “aversão à responsabilidade” é, muitas vezes, uma resistência legítima a perpetuar ciclos de desgaste físico e emocional. O problema não é a falta de ambição, é descrença em sistemas de trabalho que priorizam metas inatingíveis em detrimento da qualidade de vida.

E essa rejeição não deve ser vista como sinônimo de fracasso, mas como uma oportunidade. A Geração Z está, talvez sem querer, nos mostrando que o modelo de liderança e trabalho que conhecemos precisa de uma transformação urgente. Eles querem liderar? Sim. Mas do jeito deles: com mais colaboração e menos competição. Com mais espaço para descansar e menos para se sacrificar. Com mais propósito real e menos “missões impossíveis”. Eles estão dispostos a construir um futuro diferente e pra fazer isso não dá pra seguir jogando o mesmo jogo.

Então, talvez a pergunta certa não seja “por que os jovens não querem ser chefes?”, mas sim “o que estamos fazendo de errado para que ser chefe tenha se tornado algo tão indesejável?”. Quando uma geração inteira rejeita um modelo, o problema nunca está na geração. Está no modelo.

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