Menos clichê, mais estratégia: como tornar a viagem pro exterior possível - Mina
 
Nosso Mundo / Reportagem

Menos clichê, mais estratégia: como tornar a viagem pro exterior possível

Viajando sozinha há anos, Letícia Pavim compartilha o que aprendeu na prática e reúne decisões simples que tornam a viagem internacional possível, e menos intimidadora, mesmo quando o orçamento é limitado.

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Viajar amplia repertório. Coloca a gente em contato com outros modos de viver, tenciona certezas e cria memórias que continuam reverberando muito depois da volta. Justamente por isso, é frustrante que ainda seja um privilégio. Quando falamos de viagens internacionais, a sensação de distância aumenta: com dólar e euro nas alturas e um imaginário que se concentra nos Estados Unidos ou nos destinos europeus mais populares, como Itália, França e Reino Unido, cria-se uma barreira extra para quem sonha em fazer as malas e atravessar fronteiras.

“Abrir o mapa e olhar além do óbvio é um dos movimentos mais eficazes para viajar mais”

Mas a boa notícia é que o mundo é muito maior do que esses roteiros tradicionais. Com planejamento e escolhas estratégicas, fica bem mais viável viajar. Dá pra gastar menos e ter experiências incríveis. Falo isso por experiência própria: viajo sozinha há anos e, nesse percurso, entendi que ampliar o acesso à viagem passa por compartilhar informações práticas — desde escolhas de destinos mais acessíveis (e ainda assim incríveis) até decisões financeiras que tornam o plano viável.

E é claro que estou aqui para compartilhar com vocês. A seguir, alguns dos pilares essenciais para viabilizar uma viagem internacional gastando menos.

Desapegue do cenário de cinema

O primeiro passo para economizar é escolher bem o destino. Existem países fascinantes e muito mais acessíveis, especialmente na América do Sul. Bolívia, Peru, Chile, Colômbia e Argentina, por exemplo, oferecem paisagens impressionantes, culturas riquíssimas e vivências que fogem do roteiro mais repetido.

Além do custo de vida mais baixo, a passagem aérea costuma ser significativamente mais barata do que para destinos em dólar ou euro. Só essa decisão inicial já impacta o orçamento final da viagem. Abrir o mapa e olhar além do óbvio é um dos movimentos mais eficazes para viajar mais.

Conforto não precisa ser luxo

Quando falamos de hospedagem, muita gente ainda associa viagem a hotéis caros. Mas hoje existem diversas alternativas que equilibram conforto, segurança e custo-benefício. Para quem viaja sozinho ou gosta de socializar, os hostels podem ser uma ótima escolha.

Muitos são bem estruturados, têm áreas comuns agradáveis, promovem eventos e facilitam conexões pelo caminho. E vale lembrar: hostel não é sinônimo de quarto lotado e zero privacidade, existem quartos exclusivamente femininos e há opções de quartos privados.

Além disso, também há hotéis mais acessíveis — especialmente fora das áreas mais turísticas — que oferecem bom padrão por preços competitivos. Plataformas como Hostelworld ajudam na busca por hostels, enquanto Booking, Airbnb e até pousadas locais ampliam o leque de possibilidades. Com pesquisa e alguma antecedência, é possível encontrar hospedagens confortáveis sem recorrer a diárias caríssimas.

Planeje o essencial, explore o que é livre

Pesquisar as atividades antes da viagem faz diferença na economia. Quais passeios são prioridade naquele destino? O que é desejo real e o que é só empolgação de roteiro? O que dá pra abrir mão?

Nem tudo precisa ser feito com agência ou guia. Há experiências que funcionam bem de forma independente e outras que exigem estrutura, como trilhas e atividades em áreas remotas. Entender essa diferença ajuda a evitar gastos desnecessários e decepções.

Plataformas como GetYourGuide servem como referência para ter uma noção média de preços e comparar opções. Também vale buscar agências locais, que muitas vezes oferecem valores mais competitivos.

Ao mesmo tempo, é importante deixar espaço para o improviso. Explorar bairros à pé sem pressa, sentar em cafés de rua, deitar em parques, observar a rotina da cidade — tudo isso também emociona na viagem. Nem toda experiência memorável exige ingresso ou ponto turístico oficial. Muitas vezes, o que marca é justamente as experiências mais livres.

 Escolha bem as suas garfadas 

A comida é parte essencial da viagem. Muitos hotéis e hostels já incluem café da manhã, o que ajuda a reduzir o custo de pelo menos uma refeição por dia. No restante do tempo, priorizar restaurantes frequentados por moradores locais costuma ser uma escolha mais interessante,  tanto para o orçamento quanto para a vivência cultural. Nem sempre os endereços mais famosos ou virais nas redes sociais entregam a melhor experiência; muitas vezes, cobram mais pelo hype do que pelo prato.

Se, para você, comer bem em todas as refeições é prioridade, isso também faz parte do planejamento. Mas entra aqui uma decisão estratégica: talvez seja necessário economizar em passeios ou optar por uma hospedagem mais simples para equilibrar a conta. Outra alternativa é recorrer aos supermercados. Além de economizar em algumas refeições, circular por eles também revela hábitos e produtos locais, aproximando você da rotina da cidade.

Planejar gastos é ganhar liberdade

Antes de embarcar, vale organizar os custos fixos da viagem: passagem aérea, hospedagem, seguro viagem, deslocamentos internos e os passeios que você já sabe que quer fazer. Esses valores são a base do orçamento. Quando eles estão claros, fica muito mais fácil entender quanto realmente sobra para alimentação, compras e imprevistos.

Com essa estrutura definida, controlar os gastos no dia a dia fica menos tenso. A própria calculadora do celular já converte moedas na hora e ajuda a ter noção real do que você está pagando. Também existem aplicativos específicos de câmbio que facilitam essa conta rápida no meio da rua.

Anotar os gastos diariamente evita aquele susto na fatura e dá mais tranquilidade para curtir sem perder a noção do orçamento. Appspss de controle financeiro, como o Cuanti, ajudam a registrar despesas ao longo da viagem. 

Datas importam (e muito)

Meses como dezembro, janeiro e julho costumam ser mais caros por coincidirem com férias escolares e o recesso de fim de ano. Nesse período, passagens aéreas, hospedagens e até passeios sobem de preço impulsionados pela alta demanda.

Sempre que possível, vale considerar viajar na baixa ou média temporada. Além disso, é importante observar os feriados — inclusive os do destino escolhido — que também pressionam tarifas e diárias. Ter flexibilidade nas datas é um dos maiores trunfos para economizar. Às vezes, antecipar ou adiar a viagem em uma ou duas semanas já altera significativamente o valor final.

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