Quarentena financeira: uma estratégia para evitar gastos impulsivos
Pegando como exemplo os gastos com estética, a consultora de finanças Jana Gomes mostra que dar um tempo antes de efetivar a compra evita que pressões de consumo e estética virem um problema financeiro
vídeo de uma criadora cujo conteúdo sempre me prende. Dessa vez, ela estava ao lado de seu dermatologista, compartilhando um relato que me fez refletir sobre um conceito importante: a quarentena financeira – algo que pode ser muito útil diante das pressões estéticas e também das pressões de consumo que tanto afetam os bolsos femininos.
Achei o relato inusitado. A influenciadora disse que estava se sentindo extremamente incomodada com a própria pele. Não sabia exatamente o que precisava, mas tinha certeza de que algo estava errado e precisava ser mudado. O profissional, porém, a convenceu de que nenhuma intervenção dermatológica era necessária. Os cuidados diários bastavam. Foi então que me ocorreu: quantas vezes fazemos gastos desnecessários guiadas por um ideal inatingível ou uma necessidade questionável?
O espaço entre o desejo e a ação pode ser suficiente para reavaliar a necessidade real desse gasto
A estética é um ótimo exemplo aqui pois estamos sempre em busca de adequação, de pertencimento. E isso afeta tanto nossa saúde mental como nosso bolso. Duas perguntas são muito úteis: precisamos mesmo parecer jovem pra sempre? O quanto estamos dispostas a fazer um investimento de milhares de reais para isso? (Socorro!)
Pois é aqui que entra a quarentena financeira. A ideia é simples: adiar a decisão de consumo para evitar gastos impulsivos ou fruto de desejos imputados por pressões externas. Nos caso dos procedimentos, é nessa quarentena que você tem tempo de conversar com a dermatologista, com as amigas, ler algumas reportagens, entender quantas vezes você terá que repeti-lo. Ou seja, ponderar com calma. Acredite, o espaço entre o desejo e a ação pode ser suficiente para reavaliar a necessidade real desse gasto, muitas vezes mudando o rumo dessa decisão.
A publicitária Joanna Moura descreve bem essa estratégia em seu livro E se eu parasse de comprar?, onde relata como foi o ano que passou sem comprar nada, nem uma blusinha. O autor John Armstrong, em Como se Preocupar Menos com Dinheiro, entende que um gasto supérfluo aqui ou acolá de vez em quando vai bem, mas que um pouco de planejamento é importante.
Se, após a quarentena financeira, você concluir que o tal procedimento faz sentido, o caminho é tratá-lo como um gasto sazonal e pensar no montante necessário por ano. Se no seu planejamento ficou claro que você quer gastar R$5 mil com procedimentos no ano, ao invés de arcar com esse valor de uma vez ou parcelar a perder de vista, é mais sustentável provisionar R$416 por mês.
Essa espécie de parcelamento às avessas, onde primeiro você economiza e depois gasta, já salvou muita gente de apuro quando, meses depois, aquela parcela parece te rum peso maior do que quando foi feita. E claro, enquanto você acumula o montante necessário, tem mais um tempinho para avaliar se esse gasto vale mesmo a pena e se cabe no seu bolso. Seguindo no nosso exemplo, tá difícil guardar os R$416 por mês? Sinal de alerta.
Em um mundo mais gentil com as mulheres, não estaríamos nessa corrida desenfreada por um padrão inalcançável. Mas, enquanto isso não muda, que ao menos cada decisão seja tomada de forma mais consciente e planejada. Até porque, quando a gente pensa bem, avalia, questiona e põe na ponta do lápis, muitas vezes acaba percebendo que o custo benefício daquele gasto não vale a pena.
